29.11.09



Que é isto?
Sinto-me observado…
Porque me agarras?
Que queres de mim?
(Foto Autor desconhecido)

13.11.09


Colhi-me...

Recolhi-me...


Perpetuando na memória

a coberta do mel...

(Foto autor desconhecido)


1.11.09


Entre mim e mim, há vastidões bastantes

para a navegação dos meus desejos afligidos.


Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.

Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.


Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,

só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.


Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a

Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,

e este abandono para além da felicidade e da beleza.


Ó meu Deus, isto é a minha alma:

qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,

como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera...


Cecília Meireles



(Foto José Ferreira)

14.10.09


Parte da sua vida, foi vivida num circo com carroceis, palhaços, cavalos brancos, magia, espelhos distorcidos e muitas, muitas questões de criança sobre o Mundo lá fora…
De vez em quando ela saía , segurando uma corda que prendia ao seu cordão umbilical .
Queria ir mais longe mas tinha medo de perder de vista o circo e nunca mais o encontrar
Lá fora , as pessoas não sorriam , caminhavam de olhos no chão, parecendo pesadas, doentes e cansadas,
Matilde não queria viver assim ! Recusava-se a aceitar a predisposição com que elas alimentavam os seus lamentos e tentava ajuda-las , chamando-as aos circo.
Pintou um sol na porta da entrada mas elas passavam e não o viam.
Pareciam hipnotizadas pela escuridão da noite …
Embriagavam-se, gritavam, agrediam-se, matavam-se …
Ela não conseguia perceber porque choravam , depois de se matarem uns aos outros , nem porque pediam a Deus que as acompanhasse a ultima morada.
O mundo lá fora era estranho, as pessoas eram estranhas e o seu cordão tendia a partir-se …
Despertava nela a urgência de encontrar novos circos. Existiriam mais alem do seu ? A curiosidade empurrava-a , puxava-a, empurrava-a …
Fechou os olhos , inspirou fundo e partiu rumo a rumos...
A viagem avistava-se difícil e longínqua. Nunca tinha andado de comboio e quando este deu sinal de partida , as pessoas pisaram-se e empurraram-se, numa tentativa desesperada para entrar.
Matilde não foi a ultima porque atrás de si, estava um senhor, cuja aparência calma, lhe era familiar.
Entraram para o mesmo compartimento e depois de uma hora de viagem , ela toca-lhe no braço e pergunta-lhe se conhece algum circo.
Este responde-lhe que sim mas que foi há muito tempo e que nunca mais teve a sorte de encontrar outro .
Matilde apetecia-lhe conversar, mas percebe que ele prefere dormir e decide fazer o mesmo.
Quando acorda está sozinha com uma carta a seu lado :

“ Querida Matilde
Volta para casa e pinta os teus Sois
A rua está deserta
Os mendigos já não choram “

Assina: Teu pai
( Foto Autor desconhecido)

26.9.09




Instante












Deixai-me limpo


O ar dos quartos


E liso


O branco das paredes


Deixai-me com as coisas


Fundadas no silêncio





Sophia de Mello Breyner Andresen

13.9.09


Tudo em ti era uma ausência que se demorava:Uma despedida pronta a cumprir-se.
Cecilia Meireles
(Foto Autor desconhecido)

14.8.09


O que me apetece fazer?
Adormecer numa choupana, com os pés descalços ao vento, sentindo a eternidade do teu amor , no meu desejo de amor …

(Foto autor desconhecido)


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